Água escorrente
Medo de perder-te por entre meus dedos,
como água que escorre,
fugindo à possessão diabólica do meu ego.
Medo que o momento seja pouco.
Que seja menos do que desejo.
Medo que não compreenda a língua estranha
que falo sob efeito de algum doce qualquer.
Medo que o mais torne-se menos e que
você vá-se embora como água em efeito gasoso.
Medo do tempo obedecer-se deslealmente
aos meus comandos.
Medo.
Medo de apodrecer antes que viva
e de não aprender aquele estranho dialeto
escrito em pedras praianas,
que os búzios insistem em nos ensinar.
Comentários
Postar um comentário