Batatas e seus delírios

esta crônica que agora se inicia diz, em partes, respeito a um dia específico da minha vida, mas acredito que na busca pelo lirismo, ficaria muito mais lindo escrever em terceira pessoa.
let's go!

Marysa, após inúmeras batalhas justiciais perdidas, se encontrava num estado psicológico deplorável. Muitas e cada vez mais numerosas receitas médicas se encontravam na mesa de cabeceira do quarto, com dezenas de remédios psiquiátricos prescritos pelos mais diversos profissionais da cidade. Durante uma tarde, após sua última mudança de medicação, se sentiu num estado de ser que podemos chamar de "grogue". Nada à sua volta fazia o menor sentido. Foi então que mesmo exaustivamente cansada, ela dormiu,mas esse sono estava longe de ser 'reparador'. Sua cabeça funcionava então como uma disfuncional máquina de imagens subconscientes. Do ser integral e consciente ela passou para um ser 'maquinal' e inconsciente.
Nada mais nada menos do que batatas surgiram em seus sonhos... Batatinhas dotadas de membros inferiores e superiores, todos feitos de palitinhos de boteco. Batatas alegres, histéricas, reclamonas, bobas, chatas, vaidosas e inseguras, Todos os tipos de batata surgiam, inglesas, baroas e todas as outras. Estas batatas tinham uma particularidade interessante: gostavam de sorvetes de morango, arco-íris e "rolês" no Brooklyn Nova Iorquino.
Após este sonho engraçado e ao mesmo tempo confuso, Marysa continuou sua rotina normalícia pelo Rio de Janeiro. Numa terça-feira chuvosa encontrou um antigo conhecido seu numa linha de ônibus que atravessava o Aterro do Flamengo. Ainda "grogue" e sob o efeito dos remédios e dos sonhos com batatas , ela foi dar um simples OI ao amigo. Fato que poucos sabiam de seu estado psicológico atual e a maior parte a julgavam como a doidona junkie do Flamengo. Sempre drogada e desorientada nas situações mais diversas. Não se tratava de drogas, apenas desorientação.
"Oi, Pacheco! Você viu aquele documentário americano que te mandei outro dia sobre as batatas do Brooklyn? Mano, que loucura. Aquelas crianças loiras chorando por causa das estripulias acrobáticas das batatas. Elas (as batatas)simplesmente estavam afim de se jogar pela janela e dar rolês ali por Nova York. Sei lá, nem conheço Nova York. Foda-se esta merda! O Estado deveria prestar ajuda a essas crianças loiras e seus pais incompetentes que não sabem lidar com batatas e muito menos com a polícia."

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